Caso Master: rombo no FGC é quase metade do lucro de “bancões” em 2025

O rombo gerado pelo caso envolvendo o conglomerado do Banco Master, que foi liquidado pelo Banco Central (BC) em novembro do ano passado e resultou em uma série de liquidações de outras instituições financeiras nos meses seguintes, corresponde, pelo menos até este momento, a quase metade do lucro registrado pelos principais bancos brasileiros em 2025.

De acordo com nota divulgada pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o Banco Pleno tem uma base estimada de 160 mil credores com depósitos elegíveis ao pagamento da garantia, que somam R$ 4,9 bilhões.

O Pleno (ex-Voiter) e a Pleno DTVM já integraram o conglomerado do Banco Master, investigado por supostas fraudes financeiras. O Banco Pleno é do empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Master.

Somando os R$ 4,9 bilhões do Pleno aos R$ 40,6 bilhões do Banco Master e aos R$ 6,3 bilhões do Will Bank – também liquidados pelo BC –, o rombo total no FGC no caso Master deve chegar a R$ 51,8 bilhões apenas em garantias, sem levar em consideração os empréstimos emergenciais recebidos do FGC.

Somados, os quatro “bancões” brasileiros, todos listados na Bolsa de Valores (B3), fecharam o ano de 2025 com um lucro líquido combinado de R$ 107,8 bilhões.

O buraco no FGC, estimado em R$ 51,8 bilhões apenas nos casos relacionados às liquidações envolvendo o Master e as instituições que fizeram parte do conglomerado, representa, portanto, 48,05% de todo o lucro registrado pelos “bancões” brasileiros em 2025.

Liquidações em série

Criado há 30 anos, em 1995, o FGC é uma instituição privada, sem fins lucrativos, que atua como uma espécie de seguro, protegendo alguns tipos de investimentos e depósitos feitos em instituições financeiras. Além de prestar assistência aos clientes, o FGC auxilia os próprios bancos.

O fundo é formado a partir de recursos depositados periodicamente pelas instituições financeiras associadas, entre as quais constam Caixa Econômica Federal e bancos comerciais, de investimento e de desenvolvimento.

Os bancos realizam depósitos que criam uma margem financeira de segurança da qual sairá o dinheiro para pagar clientes e investidores, caso a instituição financeira vá à falência.

A primeira liquidação extrajudicial desta série foi a do Banco Master, diante de um suposto esquema de títulos falsos, em 18 de novembro de 2025. Em 21 de janeiro deste ano, houve a liquidação do Will Bank, por questões de solidez – a instituição integrava o conglomerado do Master. O Banco Pleno foi liquidado nesta quarta.

No período, também houve a liquidação extrajudicial da Reag, em 15 de janeiro. Mas, como se tratava de uma gestora de capitais, não havia empenho de valores do FGC.

Os clientes do Master com garantias cobertas pelo FGC já estão recebendo os valores. No caso do Will Bank, houve um adiantamento parcial, e os do Pleno devem aguardar a liberação, que depende do envio das informações detalhadas do liquidante para o FGC.

O liquidante é uma personalidade indicada pelo BC que é responsável por realizar o inventário de todos ativos e passivos da instituição financeira. É esta figura que envia a lista com nomes e valores a serem ressarcidos pelo FGC.

Com informações do Metrópoles.

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