Com ausência de Cidade, primeiro debate tem clima morno e de pouca tensão entre candidatos

O primeiro debate entre os candidatos ao Governo do Amazonas, realizado na noite deste domingo (9), na TV Band Amazonas, foi marcado por ataques ao governador Roberto Cidade (União Brasil). O governador optou por ficar fora do programa, alegando insegurança jurídica e o que classificou como um “jogo combinado” dos adversários para desgastá-lo.

Fora esse ponto, a fórmula do debate limitou os enfrentamentos diretos entre os candidatos, que só puderam trocar perguntas entre si em um único bloco. Nos demais momentos, responderam a perguntas dos jornalistas da casa e a perguntas previamente enviadas por eleitores.

Embates entre Maria do Carmo Seffair e David Almeida

Os momentos de maior tensão envolveram a candidata Maria do Carmo Seffair (PL) e o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), que trocaram farpas em ao menos dois momentos, tanto sobre propostas quanto sobre questões pessoais.

Na primeira delas, David questionou a competência de Maria para administrar o Estado, já que ela não conseguiu reabrir o Hotel Tropical nem a Santa Casa de Misericórdia, empreendimentos comprados pela empresa dela, a Fametro. Maria respondeu que as duas obras são tocadas com recursos próprios, sem ajuda dos governos, e afirmou que o IPTU do Tropical foi aumentado em mais de mil por cento durante a gestão de David.

Em outro momento de tensão, David havia respondido a uma pergunta sobre agricultura destacando ter sido o prefeito que asfaltou ramais de comunidades que vivem da agricultura familiar. “Sobre ramais, o pessoal do ramal do Pau Rosa está te esperando, David”, ironizou Maria do Carmo.

David insistiu na questão da competência de Maria para gerir o Estado, mencionando a nota baixa dos cursos de Medicina e Direito da Fametro. Maria voltou a ironizar, citando que a filha do prefeito, Fernanda Aryel Almeida, atual candidata a deputada federal, é médica formada pela própria Fametro.

Postura de Omar Aziz e propostas de Isael Munduruku

Líder nas pesquisas de intenção de voto, o senador Omar Aziz (PSD) não se envolveu em polêmicas ou embates ao longo do programa. Preferiu apresentar o que já realizou à frente da administração do Estado e o que pretende fazer se for eleito neste ano.

Apesar dessa postura mais contida, Omar sinalizou que estava pronto para o confronto. Logo no bloco inicial, quando todos os candidatos responderam a uma pergunta comum sobre o que os credenciava a ser governador, ele já se colocou à disposição para tratar da Operação Maus Caminhos, que em seu início envolveu o nome dele e de familiares, além da Cidade Universitária, obra ainda inacabada.

Nome menos conhecido na disputa, o candidato Isael Munduruku (Psol-Rede Sustentabilidade) aproveitou as intervenções para apresentar suas propostas e sinalizar que pretende, se eleito, conduzir um governo de consulta às comunidades.

No momento de maior enfrentamento, ele nacionalizou o debate ao perguntar a Maria do Carmo quais propostas tinha para os povos indígenas. Segundo Isael, os povos indígenas tiveram a vida piorada no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, e as perspectivas em um eventual governo de Flávio Bolsonaro seriam semelhantes, já que ambos são contrários à demarcação de terras indígenas.

Maria do Carmo respondeu lembrando que Jair Bolsonaro teve apenas quatro anos para governar o País, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o PT estão no poder desde 2002 e, segundo ela, nada melhoraram na vida dos povos originários.

Com informações da Onda Digital.

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