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“Política real” impõe desafios à meta de Bolsonaro de eleger 60% dos prefeitos em 2024

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O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) retornou ao Brasil empenhado em eleger mil prefeitos para o seu partido e disposto a contribuir com a eleição de ao menos outros 2.340 prefeitos do Republicanos, PP e Novo. A soma de 3.340 prefeituras corresponde a 60% dos municípios do país, uma ambiciosa meta sinalizada no dia em que retornou ao Brasil, após ficar três meses nos Estados Unidos.

Alguns aliados acreditam que o objetivo é possível de ser alcançado, mas há quem entenda que isto pode ficar só na intenção, em razão dos desafios da “política real”.

“A vida real é muito diferente da vida do discurso e das redes sociais. A eleição de prefeito demanda muito empenho, compromisso, trabalho das lideranças estaduais e acho que ele vai influenciar muito pouco nas eleições de prefeitos do ano que vem”, analisa o deputado federal Aluísio Mendes (Republicanos-MA), presidente do diretório estadual de seu partido e ex-vice-líder do governo na Câmara na gestão Bolsonaro. “Acho que o [ex-]presidente Bolsonaro não sabe fazer a política do dia a dia”, complementa.

Mendes recorda que nas eleições municipais de 2020, quando Bolsonaro ainda era presidente, poucos de seus aliados tiveram sucesso nas urnas. De 16 candidatos à prefeituras apoiados por ele, cinco foram eleitos ao longo dos dois turnos. Nas capitais, apenas um dos sete se elegeu.

À época, Bolsonaro minimizou os resultados e atribuiu as derrotas de aliados ao pouco tempo que teve para pedir apoio. Disse que sua ajuda “resumiu-se a quatro lives num total de três horas”. Aliados também atenuaram o insucesso e atribuíram os resultados às limitações de circulação em razão da pandemia da Covid-19, às acusações da oposição e à cobertura da imprensa.

Sem a pandemia da Covid-19 em 2024 e fora da Presidência, aliados de Bolsonaro entendem que, agora, ele terá mais sucesso nas eleições municipais. Contudo, mesmo os mais otimistas reconhecem que não é um processo simples e que o resultado vai depender da agenda política construída pelo ex-presidente e do nível de confiança concedido a aliados e candidatos a prefeitos e vereadores.

Bolsonaro terá que confiar nos aliados regionais

Com 5.568 prefeituras no país, aliados admitem que será impossível Bolsonaro cumprir agendas em cada cidade do país em apoio ao candidato a prefeito local e vereadores. Portanto, para atingir a meta de 60% das prefeituras com candidatos da direita, o ex-presidente precisará confiar no máximo de aliados nos estados para serem seus interlocutores e emissários que ficarão responsáveis por retransmitir seu apoio no máximo de municípios.

O deputado federal Sargento Fahur (PSD-PR) entende que é possível Bolsonaro eleger 60% de prefeitos de direita, mas sustenta que, para isso, o ex-presidente vai ter que selecionar aliados de confiança para ajudá-lo a mapear candidatos com potencial e afinidade política no campo conservador.

O deputado Joaquim Passarinho (PL-PA) acredita que Bolsonaro fará boas escolhas e poderá ter mais tranquilidade para confiar em aliados para as eleições municipais de 2024. “Agora é mais fácil confiar porque ele está na oposição e não tem nada a oferecer, só o nome dele. Não tem estrutura, governo, nada. Quem quiser se encostar nele agora vai estar comprando briga com o governo atual”, comenta.

Na análise feita por Passarinho, prefeitos que tentarão a eleição (ou a reeleição) apoiados por Bolsonaro poderão enfrentar adversários apoiados por partidos da base governista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e até sofrer retaliação por meio de repasse de verbas de emendas parlamentares às prefeituras.

A agenda de viagens que Bolsonaro planeja fazer terá um peso fundamental na eleição de prefeitos do PL e de outros partidos, sustenta o deputado Paulo Bilynskyj (PL-SP). “Ele vai viajar e chamar as pessoas, vai aumentar o número de filiados ao partido e solidificar os candidatos”, diz, salientando os 58 milhões de votos que Bolsonaro fez nas eleições de 2022.

Fonte: Gazeta do Povo

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