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PCC atua como ‘síndico do garimpo ilegal’ em terra Yanomami; área teve 13 mortes esta semana

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Conforme avança a retirada de garimpeiros ilegais do Território Indígena Yanomami, em Roraima, um problema começa a ficar cada vez mais evidente: a presença do Primeiro Comando da Capital (PCC) na reserva federal. A escalada da violência na região – que deixou 13 mortos esta semana coincide com relatos de indígenas, pesquisadores e de equipes de investigação, que apontam a ação dos criminosos como “síndicos” dessa mineração irregular.

Ali, a facção atua em uma lógica menos hierarquizada e mais em associação com outros agentes ilegais. São os membros da facção os gestores do garimpo, responsáveis pelo fornecimento de insumos e máquinas para a atividade, pelo domínio do tráfico de drogas e da prostituição nas pequenas vilas, chamadas de “currutelas”.

Ao menos desde 2019, a atuação dos criminosos alterou radicalmente a vida no local, com os garimpeiros passando a andar armados com fuzis e não mais armas de caça e alterando até a forma como se vestem – eles passaram a andar com roupas pretas-, diz o relatório “Yanomami Sob Ataque” -produzido pela Hutukara Associação Yanomami, Associação Wanasseduume Ye’kwana e Instituto Socioambiental (ISA).

O garimpo é um problema histórico na região, mas recentemente foi um dos principais fatores que levaram a uma crise humanitária sem precedentes no Território Indígena Yanomami. Nos últimos quatro anos, cerca de 570 crianças morreram vítimas de doenças levadas por esses mineradores ilegais, segundo o governo federal. Outro efeito colateral é a destruição do bioma, com a poluição dos rios por mercúrio e a fuga de animais que servem como caça.

Conforme o relatório, membros do PCC vêm se integrando às atividades de exploração de ouro. “O narcogarimpo vem permitindo a formação de estruturas mais bem equipadas, com armas e abordagens mais violentas aos indígenas”, afirma o documento.

A constatação é a mesma de outra pesquisa, segundo a qual o principal interesse do PCC em Roraima está no controle das fronteiras para transportar drogas e armas. “A atuação na zona de garimpo ocorre mais na ideia de controle do território, operando como braço armado do garimpo ilegal”, afirma relatório produzido pelo Instituto Clima e Sociedade, Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), Instituto Igarapé e Centro Soberania e Clima. “Uma das constatações que se faz, nesse sentido, é de que é muito dispendioso extrair o ouro, razão pela qual a organização criminosa prefere extorquir, roubar e fazer a segurança do local.”

Segundo Melina Rissa, diretora de Pesquisa do Instituto Igarapé, a atuação da facção dentro de uma lógica de diversificação de atividades e em associação com outros agentes ilegais torna o combate ao crime ambiental no TI Yanomami mais complexo.

“Se fosse uma estrutura hierarquizada, o combate seria feito “cortando a cabeça” (do esquema). Mas não é assim. É mais uma estrutura em rede, com outros atores. São novas células do PCC atuando de forma diferente”, afirma. “A gente tende a pensar na facção como um modelo estabelecido, mas o PCC de 2023 não é o mesmo do PCC de 2006 (quando uma onda de ataques da facção contra agentes da segurança pública paralisaram São Paulo).”

Melina diz que é impossível pensar que os cerca de 20 mil garimpeiros ilegais no local fazem parte da facção. Antes disso, fazem parte de um enorme contingente de trabalhadores expostos a situações precárias. “Muitas vezes estão trabalhando em condições análogas à escravidão (dentro de um sistema também ilegal). É vulnerabilidade em cima de vulnerabilidade”, afirma.

Região teve 13 mortes em menos de uma semana

A mais recente tensão entre garimpeiros e membros do PCC de um lado e indígenas, fiscais do Ibama e a Polícia Federal de outro é resultado da tentativa do governo federal de expulsar da região a atividade ilegal e ocorre na esteira da crise humanitária

Desde sábado, 29, foram registradas 13 mortes na região e a presença de membros da facção criminosa ganhou ainda mais destaque após o presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, declarar que um dos mortos fazia parte do PCC.

Com informações do Estadão.

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