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Demissão de ministro do GSI muda clima na base, e governo passa a apoiar CPMI dos atos antidemocráticos

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Senador Randolf Rodrigues (Waldemir Barreto/Ag)

A base do governo no Congresso mudou de posição e agora se encaminha para apoiar a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos atos golpistas do dia 8 de janeiro. A inflexão acontece após a divulgação de vídeos em que o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Gonçalves Dias, aparece em contato com invasores dentro do Palácio do Planalto. Os vídeos foram revelados pela CNN e causaram a saída de Dias do cargo. Segundo a colunista Vera Magalhães, aliados do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, avaliam que após a demissão, fica difícil segurar a criação da comissão.

O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), disse que o apoio à CPMI foi discutido com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha. De acordo com o senador, os líderes do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), e no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), também concordam com a mudança de posição.

“Nós estivemos com o presidente da República nesta tarde. Conversamos sobre vários temas, sobre a situação. Eu, o líder Wagner, o líder Guimarães, após, conversamos também com o ministro Padilha. Esse caminho está amadurecido no núcleo político do governo”, afirmou Randolfe.

A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, disse ao GLOBO que quer que o PT se posicione de modo favorável à CPMI.

“Defendo que apoiemos”, afirmou.

Da mesma forma, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), vice-líder do governo no Congresso, declarou que o governo precisa apoiar a comissão para apurar a responsabilidade de bolsonaristas nos atos. O deputado do PT disse que a demissão de Dias do cargo era a “única saída possível”.

“Houve uma perda de confiança do presidente Lula. Houve o pedido por parte do presidente Lula das imagens e disseram que não existiam as imagens. Houve aquela decretação de sigilo que ninguém entendia o motivo. De fato, isso é muito grave”, criticou.

A comissão é de autoria do deputado bolsonarista André Fernandes (PL-CE) e tem o número necessário de assinaturas para ser instalada. Seu funcionamento, contudo, depende de uma sessão do Congresso, algo ainda não feito neste ano. Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes no dia 8 de janeiro e pregaram um golpe contra Lula.

Parlamentares bolsonaristas tentam alardear no governo do petista uma omissão que teria facilitado os ataques. O vídeo em que o chefe do GSI aparece ao lado dos invasores amplificou a estratégia dos opositores do governo. Inicialmente, a base governista no Congresso agiu para tentar abafar uma CPMI para impedir que bolsonaristas tivessem oportunidade de reverberar os ataques, mas agora petistas falam em partir para ofensiva.

“(A CPMI) Nos coloca na ofensiva política. Não adianta eles inventarem as narrativas deles. A gente sabe que quem patrocinou tudo aquilo foram os bolsonaristas. Vai surgir muita coisa. Já tem muita coisa no inquérito do Alexandre de Moraes. Vamos convocar esse povo todo. Vamos descobrir deputados que financiaram aqueles atos do dia 8 de janeiro, vamos atrás da conexão com Bolsonaro”, disse Lindbergh Farias.

Randolfe se manifestou a favor das investigações no plenário do Senado hoje. O senador era contrário à instalação da CPMI e pediu para adiar a sessão do Congresso que a colocaria em funcionamento e estava marcada para ontem. Agora, líder do governo disse que o Poder Executivo apoia que o colegiado seja colocado em prática na próxima semana.

“Dia 25, nós é que queremos a leitura desse requerimento de CPMI. Vamos para essa investigação e vamos com força. De investigação e comissão de inquérito, nós entendemos. Estamos com vontade de ir para lá, estamos com desejo de ter essa investigação”, discorreu o senador.

O líder do governo na Câmara fez coro ao que disseram os outros parlamentares da base.

“Quem tem que temer CPMI dos atos antidemocráticos são os golpistas. Queremos apurar tudo e continuar punindo os culpados”, afirmou.

Já Lindbergh declarou que a CPMI vai ser “um tiro no pé” dos bolsonaristas e citou o fato de os deputados André Fernandes, Clarissa Tércio (PP-PE) e Silvia Waiãpi (PL-AP) serem alvos de um inquérito por suspeita de incentivarem os atos.

“Essa CPI é o maior tiro no pé dos bolsonaristas. Vamos atrás dos financiadores, há três deputados que participaram ativamente dos atos do dia 8 de janeiro, estão respondendo a um inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF). O resultado vai ser deputados deles cassados. A gente vai pegar os financiadores também “, disse.

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