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Efeito Michelle: como o protagonismo feminino pode sustentar o bolsonarismo

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Fora do Brasil desde o dia 30 de dezembro e ainda sem data para voltar, o ex-presidente Jair Bolsonaro se afastou do PL, que redirecionou suas expectativas para a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Entre aliados de Bolsonaro, é majoritária a avaliação de que o ex-presidente corre sérios riscos de ficar inelegível até 2026 e Michelle se tornou a aposta mais nítida deste grupo político para capitalizar o recall eleitoral alcançado no ano passado. Ela simboliza um protagonismo feminino, associado a um forte elo com o segmento evangélico, que pode ajudar a sustentar o bolsonarismo até a próxima disputa presidencial.

Por ora, líderes do PL dizem que o objetivo principal neste ano será preparar o terreno para as eleições municipais de 2024. A estratégia basicamente consiste em explorar o bolsonarismo sem o próprio Bolsonaro e assim se aproximar do eleitorado feminino, que é o principal foco de resistência ao ex-presidente.

A ideia inicial da sigla comandada pelo ex-deputado Valdemar da Costa Neto era investir pesado no ex-presidente, que receberia um salário robusto, estrutura e equipe para ser o porta-voz da legenda. Hoje, porém, o PL não trata mais deste assunto.
O desgaste com o partido surgiu pela falta de interlocução e se acentuou com o persistente noticiário negativo em torno do ex-presidente. O caso das joias que entraram ilegalmente no Brasil, revelado pelo Estadão, é o mais recente e significativo até agora. A leitura do PL é que Bolsonaro ficará impedido de disputar eleições e sofreu danos irreversíveis em sua imagem pessoal, mas Michelle ainda pode ser blindada.
A ex-primeira-dama vai tomar posse como presidente do PL Mulher no próximo dia 21 em um grande evento no Hípica Hall, em Brasília. A atual titular do posto, deputada Soraya Santos (RJ), irá transmitir com pompa e circunstância um cargo que nunca teve relevância dentro do partido.

Estarão presentes as bancadas do PL no Senado e na Câmara, além de prefeitos, governadores e outros caciques regionais. Depois do ato, os homens serão convidados a se retirar e permanecerão no local do evento apenas as mulheres, entre elas Damares Alves (Republicanos) e Tereza Cristina (PP), outras duas referências para o protagonismo feminino no bolsonarismo.

Segundo especialistas, após derrota do ex-presidente nas eleições de 2022, as mulheres têm potencial para assumir o espólio desse setor político. “Se eu puder fazer uma aposta, eu apostaria na figura de uma mulher”, disse Isabela Kalil, coordenadora do Observatório da Extrema Direita, em debate promovido pela Fundação Fernando Henrique Cardoso, na manhã de quarta-feira, 15. “Uma mulher pode ter muitos ganhos políticos neste campo”, afirmou.

Fonte: Estado de S. Paulo

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